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Desembolsos do BNDES em 2013 sobem 58% no Paraná

De janeiro a março, o banco liberou R$ 3,2 bilhões no estado, com destaque para micro, pequeno e médias empresas

O volume de desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) cresceu 58,2% e bateu recorde no primeiro trimestre no Paraná, ao somar R$ 3,2 bilhões. O resultado foi puxado pela agropecuária e pela indústria.

O segmento de infraestrutura continua a ter desempenho mais fraco e avançou apenas 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números do Pa¬raná vêm em linha com os nacionais – no primeiro trimestre, os desembolsos do BNDES no país cresceram 52%, para R$ 37,2 bilhões. Incluem operações diretas (contratadas com o próprio BNDES) e indiretas (por meio de agentes repassadores, como Banco do Brasil e Bradesco).

Propósito
Dinheiro tem de focar inovação e eficiência, diz vice da instituição

A agenda de investimentos no Brasil nos próximos anos terá de contemplar ganhos de produtividade e eficiência, na avaliação do vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz. Para ele, o país trilhou o caminho da geração do emprego e do aumento do consumo, mas terá de investir em ganhos de produtividade daqui para frente. “O desafio é fazer tudo ao mesmo tempo e conviver com o crescimento desequilibrado”. O país ainda tem um avanço lento na área de inovação, mas aos poucos há progresso nesse segmento. “Você pode levar o cavalo para beber água, mas não pode obrigá-lo a beber”, diz ele.

No ano passado, o BNDES emprestou R$ 156 bilhões, montante 12% maior que em 2011 mas ainda inferior ao recorde de 2010 (R$ 168,4 bilhões). Apesar da pressão por recursos para novos financiamentos, o banco não se pronuncia sobre as discussões sobre uma nova capitalização pelo Tesouro Nacional. Ferraz admite, porém, que o banco poderá emitir títulos no exterior. O BNDES montou em 2009 sua operação em Londres para financiar a expansão de empresas nacionais fora do Brasil.

Para o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz, os números indicam uma retomada dos investimentos no país, embora o setor de infraestrutura ainda esteja demorando para deslanchar. “Ainda dependemos da agenda de concessões, com a publicação dos editais”, disse ele em entrevista no Rio de Janeiro para jornalistas do Sul do país.

Do balanço do trimestre no Paraná, o grande destaque foi a agropecuária, com aumento de 127,6% nos desembolsos. A indústria, por sua vez, cresceu 89,8%, puxada pelos investimentos nas áreas de material de transporte, celulose e papel e extrativa. Entre as linhas que mais têm gerado desembolsos estão o Finem e o Finame, que está usando as taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Acima da média

Do total dos investimentos no Paraná, 62,5% foram para micros, pequenas e médias empresas. A participação das empresas de menor porte está acima da média nacional, de 40%. Para os técnicos do banco, essa retomada é sustentável, já que o volume de aprovações de projetos também cresceu. Somou R$ 4,32 bilhões no primeiro trimestre, 80,7% mais que no mesmo período do ano passado. Recentemente o BNDES aprovou um financiamento de R$ 306 milhões para o Boticário para a expansão da rede de franquias e a nova fábrica no Nordeste. O banco também aprovou o financiamento de R$ 32,2 milhões para a GT Foods, empresa avícola com sede em Maringá, que produz as marcas Canção, Gold Frango e Mister Frango.

BNDESPar perde força no lucro do banco

Com participação direta em 200 empresas – a maioria de grande porte – e indireta em 32 fundos de investimentos, a BNDESPar viu seu lucro líquido minguar em 2012 e reduzir sua participação nos ganhos totais do banco de 47,6% em 2011 para 3,6% em 2012. O seu lucro líquido, que somou R$ 4,3 bilhões naquele ano, caiu para R$ 298 milhões no ano passado, puxado principalmente pelas dificuldades das principais empresas nas quais a BNDESPar tem participação – o trio Petrobras, Vale e Eletrobrás.

Da carteira de R$ 100 bilhões da BNDESPar, 50% estão com Vale e Petrobras. Do valor de mercado, o setor de petróleo e gás representa 30,6%, seguido por mineração, com 22,8% energia, com 12,6%, alimentos, com 7,8% e papel e celulose com 7%.

As grandes apostas do banco acabaram frustradas com a piora dos desempenhos das companhias. A BNDESPar anunciou que fez uma provisão de R$ 3,325 bilhões referente a possíveis perdas de valor ativos. Parte desse montante – R$ 865 milhões – veio do investimento na LBR-Lácteos, que entrou em recuperação judicial. A BNDESPar colocou R$ 700 milhões no negócio, cuja proposta era criar – por meio da fusão das empresas Bom Gosto e Letbom – uma empresa líder no mercado de leite. Outra parte dessas provisões se devem às perdas no valor de mercado da Eletrobrás.

A BNDESPar foi usada, a partir da crise de 2008, como uma instrumento de medidas anticíclicas do governo para combater os efeitos da turbulência internacional. Na época, houve uma aceleração do processo de compra de participações em empresas.

O banco porém, começa a dar sinais de que pode rever essa estratégia.“A promoção da competitividade de grandes empresas de expressão internacional é uma agenda que foi concluída”, disse recentemente o presidente do banco, Luciano Coutinho.

Ele afirma que a política tinha “méritos” e chegou “até onde podia ir”, porque o número de setores em que o país tem potencial para projetar empresas líderes é “limitado”. O economista citou os segmentos de petroquímica, celulose, frigoríficos, siderurgia, suco de laranja e cimento. “Não enxergo outros com o mesmo potencial”, frisou. Segundo ele, a BNDESPar, braço de investimentos do banco em empresas, está concentrado em setores inovadores, como tecnologia da informação, farmacêutico e bens de capital.

Infográfico

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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