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22/09/2016 - Entrada de grandes redes nos bairros mexe com os pequenos negócios

Profissionalização sem perder a essência do bom atendimento é a chave para não sucumbir à concorrência

Ricardo Reginato está redescobrindo o seu negócio próprio. Dono de um minimercado no bairro Boa Vista, em Curitiba, há cinco anos, ele está enfrentando pela primeira vez a concorrência de uma grande rede que se instalou a duas quadras do seu estabelecimento.

Em menos de dois meses com a presença do novo vizinho, ele já notou uma queda no faturamento da loja de 500 m² e o encalhe de alguns produtos nas prateleiras, principalmente daqueles de alta rotatividade, como o leite. “É comum ver os clientes com sacolas do outro supermercado”, diz o empresário.

Para não sucumbir à concorrência, Reginato está reavaliando os produtos que vende e fortalecendo os seus grandes diferenciais: atendimento e serviço de açougue. A loja parou de vender itens que estão em promoção no supermercado vizinho e começou a apostar em produtos premium e naturais. Também mantém uma equipe de 18 funcionários e compra carnes de primeira linha. Tudo para não deixar o cliente escapar.

Davi X Golias

A disputa entre comércios de vizinhança e grandes redes é antiga. Depois que os bairros passaram a concentrar grandes mercados consumidores, empresas de grande porte migraram para as áreas periféricas das cidades em busca desse público. A tendência aconteceu nos diversos segmentos do varejo, como mercados, farmácias e salões de beleza.

Apesar de assustar à primeira vista, a entrada de uma grande rede no bairro não significa o fim dos pequenos negócios. “Não é simples atuar no bairro”, diz Ana Paula Tozzi, CEO da GS&AGR Consultores. Ela explica que empresas de grande porte levam tempo até construir uma relação de proximidade com a nova clientela e que são muito engessadas para promover mudanças rápidas.

Os pequenos negócios levam vantagem por conhecer melhor os seus clientes e conseguir mudar rapidamente. Em contrapartida, perdem quando o quesito é preço, já que têm menos poder de barganha com os fornecedores. Por isso, a orientação do coordenador estadual de varejo do Sebrae-PR, Osmar Dalquano Junior, é buscar a profissionalização do seu negócio. “Não dá para levar apenas na sobrevivência”, diz.

Segundo o consultor do Sebrae-PR, o pequeno varejo de bairro precisa começar a medir o desempenho do negócio através de indicadores e estipular metas de crescimento. Também devem adotar práticas de gestão, principalmente na área financeira, de controle de estoque e de perecíveis e de recursos humanos.

Dalquano Junior também recomenda investir em outros canais de venda, como delivery e-commerce, para não ficar refém do ponto físico. “É possível formar grupos nos aplicativos de mensagem para informar os clientes de promoções, de novidades”, comenta. Tudo isso ser perder o bom atendimento e o contato próximo com o cliente.

Disputa chega ao mercado pet

Formado na grande maioria por pequenos negócios, o mercado pet começa a se preocupar com os planos de expansão das grandes redes. Segundo dados do Instituto Pet, existem 97 megalojas no Brasil contra 33,5 mil estabelecimentos de médio e pequeno porte.

Apesar de a diferença ainda ser muito grande, as megalojas começaram a entrar em cidades fora do eixo Rio-São Paulo e atrair clientes em busca de promoções, produtos importados e opção de lazer para seus animais de estimação. É o caso da Cobasi, que inaugurou a primeira loja em Curitiba neste ano, e da Petz, antiga Pet Center Marginal, que tem planos de abrir unidades na capital paranaense e em Londrina entre 2017 e 2018.

Mas, assim como nos demais segmentos do varejo, os pequenos negócios da área podem reagir. O diretor presidente da consultoria ABGroup, Altamiro Borges, afirma que o consumidor vai continuar frequentando o pequeno estabelecimento durante a semana, e que vai procurar a megaloja de vez em quando em busca de novidades e promoções.

A recomendação do consultor é buscar segmentar o público atendido e o mix de produtos e agregar opções de serviços para ser o grande diferencial do estabelecimento. “As megalojas vão na diversidade de produtos e serviços, enquanto os pequenos apostam no cuidado pessoal, em saber o nome do pet. É a pessoalidade que faz a diferença”, explica Borges.

“Cliente que busca a megaloja busca variedade de produtos, local para passear, novidades e tudo em um mesmo lugar”, diz Sergio Zimerman, fundador presidente da Petz. A gerente de marketing da Cobasi, Daniela Bochi, acrescenta que as grandes redes nunca vão conseguir competir com o “contato olho no olho” que os pequenos pets possuem.

Fonte:
GAZETA DO POVO - www.gazetadopovo.com.br

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