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12/12/2016 - Executivos relatam dificuldades para contratar e até importam profissionais

Pesquisa foi feita com 700 executivos de 18 setores em 62 cidades. Candidatos para as vagas apresentam ausência de características ímpares.

Saiba como conversar sobre nova oportunidade sem se queimar com o chefe (Foto: Arte / G1)
Candidatos não têm atendido exigências das empresas na região  (Foto: Arte / G1)

Empresas do interior de São Paulo e do Sul de Minas Gerais com vagas de emprego abertas têm enfrentado dificuldades para contratar profissionais nas cidades onde estão localizadas. A solução acaba sendo importar de outros municípios e até estados, segundo um estudo feito com 700 executivos pela consultoria especialista em recrutamento executivo Michael Page, em Campinas (SP). E há, ainda, outras características preocupantes nos profissionais que estão no mercado.

O levantamento foi feito com empresas de 18 setores da economia, localizadas em 62 cidades, e apresenta como elas estão lidando com a atração e a retenção de profissionais. Para 53% dos participantes da pesquisa, realizada entre setembro e outubro deste ano, não é nada fácil encontrar e atrair candidatos na mesma localidade das empresas, principalmente nas áreas de engenharia, comercial, finanças, logística e tecnologia da informação (TI).

Pelas respostas percebemos que o momento é de muita pressão sobre os profissionais"
Lucas Toledo, gerente executivo da Michael Page

Segundo o gerente executivo da Michael Page, Lucas Toledo, a oferta de trabalhadores para a demanda de algumas áreas é baixa na região, e não há outro jeito senão buscar alguns colaboradores fora. Um exemplo é o setor de marketing digital.

“Todas as empresas têm que ter marketing digital, mas a oferta é menor na região para atender a demanda. Precisam ser importados da capital ou de outras cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte”, afirma.

Sem contar que o “momento” do profissional nem sempre se encaixa numa proposta para trabalhar no interior, pois podem ter se formado na capital e preferem o mercado de lá, ou mesmo buscam fazer carreira na capital, mesmo tendo se qualificado no interior. Os executivos ressaltaram que muitos se negam a mudar para essas cidades por conta da família, inclusive, e também destacaram a faixa salarial, que é menor.

No entanto, o interior também pode ser atrativo, por ter mais qualidade de vida, custo baixo, boas escolas e universidades. Além de ter menos trânsito e crescimento do PIB regional acima da média nacional.

Funcionários em empresa de tecnologia de Campinas (Foto: Marcos Peron)
Funcionários em empresa de tecnologia de Campinas (Foto: Marcos Peron)

Características pesam na contratação
Além da escassez, na opinião dos executivos consultados, 42,53% dos profissionais do mercado não têm bom desempenho sob pressão, 39,75% não sabem trabalhar em equipe, e falta profissionalismo para 35,70% dos formados buscando emprego.

“Pelas respostas percebemos que o momento é de muita pressão sobre os profissionais. Como as empresas estão mais enxutas, têm menos funcionários, todo mundo precisa colocar a mão na massa pra ter os resultados”, explica Toledo.

Realmente, os jovens estão saindo um pouco crus da faculdade, gera uma certa frustração. (...) Precisa contratar um time mais júnior e isso aparece, a falta de amadurecimento"
Lucas Toledo, gerente executivo da Michael Page

Ausência de idioma foi constatada em 31,65% dos casos, disposição para o trabalho falta em 24,81% dos profissionais e 23,80% não têm uma boa formação.

Os demais apontamentos ressaltam que 23,80% dos candidatos não são flexíveis, 22,53% não parecem confiáveis, 21,01% não são organizados e, por último, 18,48% têm dificuldade no quesito superação.

“Realmente, os jovens estão saindo um pouco crus da faculdade, gera uma certa frustração. As empresas têm esperado deles desenvolvimentos comportamentais. O que eles podem pagar é um valor menor, estão com salários apertados. Precisa contratar um time mais júnior e isso aparece, a falta de amadurecimento”, explica Toledo.

Querem salário alto, mas...
Em um “ranking” de áreas com mais dificuldade de atrair profissionais, a engenharia é a mais preocupante para 37% dos executivos. Em seguida, aparece a área comercial (32%), finanças e logística (20%) e TI (18%).

Mercado TI Tecnologia da Informação JG (Foto: Reprodução: TV Globo)
Mercado de tecnologia da informação está aquecido (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Uma empresa de tecnologia de Campinas tem vivido essa realidade e está com uma vaga aberta desde o início do ano, que não é preenchida porque nenhum profissional se enquadrou nas exigências, até agora.

Segundo a analista de RH Patrícia Nogueira, a falta do inglês fluente, exigência básica na área de TI, é um problema recorrente.

“No caso dessa vaga, é um cliente internacional. A maior dificuldade é o inglês. É bem difícil encontrar os profissionais com inglês e conhecimento mesmo, é o principal. Aqui na empresa, é muito importante a postura do profissional, como ele vai se portar com o cliente”, explica Patrícia.

(...) é um pessoal que tem uma pretensão salarial muito alta. Mas, não estão preparados para o que o mercado precisa. A gente encontrou candidatos na faixa de R$ 10 mil"
Lucas Toledo, gerente executivo da Michael Page

A falta de profissionalismo também é uma questão importante. É uma avaliação mais subjetiva, mas, no caso dessa empresa, ela identificou nas entrevistas.

“No geral, eles falam mal do emprego anterior durante a entrevista. Não demonstram que conseguiriam resolver uma situação de pressão.(...) E é um pessoal que tem uma pretensão salarial muito alta. Mas, não estão preparados para o que o mercado precisa. A gente encontrou candidatos na faixa de R$ 10 mil”, ressalta.

Características como essas também podem aparecer em colaboradores já contratados, justamente porque os momentos da empresa e do mercado mudaram.

“Um profissional foi contratado há dois, três anos, para ter uma missão e o mundo mudou. A realidade dele hoje é tentar manter cliente, precisa mandar gente embora. O trabalho é pior do que era a ideia dele inicial, os profissionais estão sob pressão e existe uma frustração que é circunstancial. Do outro lado, o contratante percebe que a pessoa não consegue lidar com isso”, explica Toledo.

Faróis automatizados resultam de mais de 1 anos de pesquisas de estudantes de engenharia em Santa Rita do Sapucaí, MG (Foto: Arquivo/Equipe Auto CarLight)
Engenharia é área com mais dificuldade de contratação, diz pesquisa (Foto: Arquivo/Equipe Auto CarLight)

Como atrair bons profissionais?
As companhias da região estão implementando ações como investimento em atração de bons colaboradores. De acordo com a pesquisa, 43% dos executivos estão empenhados em proporcionar mais desafios aos profissionais, 40% querem equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, 29% investem em plano de carreira e 18% apostam em horários de trabalho flexíveis.

“As empresas da região estão se mexendo, estão criando mais desafios nas carreiras, estão interessadas em resultado, fazendo ações relativas a clima”, afirma o gerente executivo da Michael Page, Lucas Toledo.

Uma boa noticia, segundo ele, é que as áreas de vendas, marketing e TI, por exemplo, estão aquecidas. “Já passamos pelo fundo do poço da crise”, afirma.

A dica é buscar qualificação com cursos rápidos no mercado que podem ajudar os candidatos a se adequarem às oportunidades.



Fonte:
G1 - www.globo.com

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